SEGURANÇA

O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, esteve na semana passada (quinta, 26) em Santa Catarina. Palestrou no último dia da II Mostra Laboral do Sistema Prisional Brasileiro, realizada em Florianópolis, e aproveitou para fazer um balanço histórico da área.

Ao visitar os estandes montados por cada estado para expor os trabalhos dos apenados, reconheceu que o esforço já vem dando resultados, mas que muito mais ainda poderá ser feito. Falou dos esforços neste sentido e, com otimismo, do que espera de mudanças.

Na semana passada, a Pelo Estado Entrevista trouxe um pouco dos resultados e planos apresentados pelo secretário estadual da Segurança Pública, Alceu de Oliveira. Nesta semana, um raio-X do setor no país. E a garantia, da parte do ministro Jungmann, de que a solução tem que ser buscada entre as nações. “Se o crime se trasnacionalizou, se ele se globalizou, eu não resolvo só dentro do Brasil! Eu preciso da colaboração, da parceria, da troca de inteligência, da convergência de legislação.”

Origem do problema

O Brasil carecia de um Sistema Nacional de Segurança Pública e de uma Política Nacional de Segurança Pública. Desde a primeira Carta Constitucional, datada de 1924, e em todas as que se seguiram, incluindo a que está vigente, de 1988, jamais o governo central assumiu responsabilidades constitucionais com a área. A leitura transversal das sete constituições brasileiras mostra que a responsabilidade fica restrita aos estados. Isso quer dizer que, na Segurança Pública, temos um federalismo acéfalo.

Nova organização

Pela primeira vez, em 194 anos, a segurança pública passa a ter um lugar na cúpula do Executivo do país. Exatamente há cinco meses foi criado, por decreto, o Ministério da Segurança Pública, englobando o sistema prisional, que é a minha Nêmesis (deusa grega que remete a forças ocultas), que me tira o sono.

Para que se faça Justiça, é preciso que políticas públicas, Ministério Público, Judiciário e Sistema Penitenciário interajam, sejam articulados, mas isso não ocorre. Cada um funciona na sua velocidade com os seus processos.

Mudanças

Nesses cinco meses de existência do Ministério tenho procurado deixar caminhos institucionalizados como legado. E que possam ser ampliados. Por exemplo, foi aprovado o Serviço Único de Segurança Pública (SUSP).

Leio e releio a lei, reconheço que poderia ter algo melhor. Mas, quando plenamente implantado, vai representar uma grande mudança. União, estados e municípios terão que atuar juntos, com metas, com indicadores e com formas de avaliação que nunca existiram.

SUSP

Até hoje, a Segurança Pública no Brasil é o território da opacidade. Não temos informações e quando as temos, nem sempre são confiáveis. Sem isso, é impossível planejar uma política pública nacional. Sem isso entramos em voo cego.

Mas o SUSP traz a exigência do levantamento e do compartilhamento dos dados. Quem (estado) não compartilhar, pode ser responsabilizado e não receberá recursos. Assim passamos a ter informação e integração. E vamos construir uma política nacional para um cenário de dez anos.

Em agosto será instalado o Conselho Nacional da Segurança Pública. Teremos curadoria, ouvidoria, corregedoria, incluindo as secretarias estaduais de Segurança Pública. A nossa área começa a emergir da obscuridade.

Recursos
Agora temos recursos estáveis, previsíveis e crescentes, com repasse de parte do que é arrecadado nas loterias da Caixa Econômica para o Fundo Nacional de Segurança Pública, com valores sendo distribuídos fundo a fundo (União-estados), segundo critérios e indicadores, sem interferência política.

Com isso, vamos poder criar a Escola Nacional de Segurança Pública e Inteligência, em nível de classe mundial. Teremos graduados, pós-graduados, doutores em Segurança Pública e em Sistema Prisional. E vamos valorizar quem trabalha nessas áreas. E vamos criar o Instituto Nacional de Estudos e Estatísticas da Segurança Pública.

Juventude
Precisamos de uma política de prevenção social. Temos uma juventude sem/sem. Sem estudo, sem formação, sem esperança, e em um país de imensas desigualdades. Com a população se sentindo encurralada, esse país tende sempre à repressão e a pedir pena de morte.

Hoje, quem mais morre são jovens de 15 a 24 anos, pobres, pretos, de baixa renda. São 11 milhões de jovens com essas características em nosso país. Três em cada quatro furtam, rouba, usam drogas.

Se 50% dos 60 mil homicídios anuais que registramos estão concentrados em 123 cidades, temos que focar com políticas de promoção social nesses territórios. Criamos uma câmara interministerial para a elaboração de um Plano Nacional de Prevenção e Promoção Social. Nossa juventude precisa disso. E nosso país também.

Cotas

Estivemos com a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Carmen Lúcia, para levar o texto do decreto da Política Nacional de Empregos para Egressos e Presos. Dados do Departamento Penitenciário Nacional (Depen) mostram que temos a terceira maior população carcerária do mundo, atrás dos EUA e da China. Com progressão de 8,3% ao ano, chegaremos a 2025 com 1,4 milhão de homens e mulheres privados de liberdade. Isso não é sustentável! Isso sem falar que, hoje, temos 584 mil mandados de prisão abertos.

O projeto determina que todas as licitações do governo federal têm que reservar um percentual para egressos e presos trabalharem nas empresas ganhadoras. “Estão dando emprego pra bandido!” Não!

Estamos buscando formas de ressocializar um ser humano, que tem seus direitos. Nós temos de 40% a 70% de reincidência. Isso mostra que não estamos cumprindo a missão de ressocialização. Como não temos pena de morte no Brasil e nem prisão perpétua, graças a Deus, é melhor que essas pessoas voltem melhores para as ruas, com condições de trabalhar para escapar da chamada do crime organizado.

O trabalho

Hoje, na média nacional, só 12% dos apenados trabalham ou estudam. Em Santa Catarina este índice é bem melhor, 31%. Mas esse percentual tem que crescer. Se a população carcerária cresce tanto e se tantos reincidem, o “prende” pelo qual a população clama não está resolvendo. O “prende” está agravando. É preciso punir, sim. Mas precisamos também melhorar o Sistema Prisional, valorizar quem trabalha nessas funções e de fato ressocializar para que a prisão são seja o home office do crime organizado como tem sido.

Coração das trevas

O Sistema Penitenciário brasileiro está quase todo dominado por um conjunto de 70 facções criminosas. Algumas são pequenas, outras são nacionais, transnacionais e globais. E elas vivem se digladiando dentro dos presídios e penitenciárias do país. Quando eu era ministro da Justiça, fizemos 33 vistorias: um em cada dois presos estava armado.

Quando se pega um jovem com uma trouxinha de maconha e bota lá dentro, ele terá que fazer juramento para uma dessas facções, se torna escravo, servo, dentro ou fora das grades.

Facções x democracia
O crescimento do poderio dessas facções é assustador. Em apenas dois notebooks achamos o registro de 400 execuções determinadas por eles. Isso pode chegar a milhares. Isso coloca em risco a sociedade, as instituições e a própria democracia.

Eles podem controlar o voto, elegem representante, esse representante entra na disputa por indicação de cargos, podendo até chegar a atuar no aparato de segurança. Já é uma questão de soberania nacional. Precisamos fazer o Estado presente!

Autoridade Sul Americana

Na próxima semana (com início em 30 de julho) eu estarei na Argentina reunindo com os ministros da Justiça e da Segurança Pública. A minha proposta é nós termos uma Autoridade Sul Americana de Segurança, mais amplo que Mercosul. Isso porque não se resolve mais o problema do grande crime organizado no o espaço nacional. Se o crime se transnacionalizou, se ele se globalizou, eu não resolvo só dentro do Brasil! Eu preciso da colaboração, da parceria, da troca de inteligência, da convergência de legislação.

Hoje já temos grandes quadrilhas brasileiras se estruturando em outros países, como Paraguai e Bolívia. Se não der para começar com uma Autoridade, vamos começar com uma plataforma de discussão e de coordenação. Depois a gente evolui. Eu diria que isso é imprescindível. Não há possibilidade de se enfrentar o crime que se globalizou, com a internet, com o tempo real, com transporte, com infraestrutura, com tudo, se não for transnacionalmente também.

Outra coisa...

... o crime está se lixando para a questão de regras e a qualquer coisa neste sentido. Nós ficamos muito presos a certos marcos legais que já não fazem sentido. Temos que criar, democraticamente, dentro da lei, com observância à Constituição de todos os países, uma Autoridade Sul Americana para lidar com essa questão.

O secretário estadual de Justiça e Cidadania (SJC), Leandro Lima, responsável pelo sistema prisional catarinense, comemorou os resultados da Mostra que, pela segunda vez, aconteceu no estado. Ele destacou que, entre a primeira edição, em 2015, e a da semana passada, Santa Catarina consolidou posição de referência nacional no que diz respeito à atividade laboral de apenados, ajudando inclusive a influenciar os demais estados.

“Começamos a perceber, ao entrar em cada estande, que os outros estados começaram a migrar da atividade artesanal para a industrial, seguindo os nossos exemplos.” Atualmente, 200 indústrias e pelo menos 20 prefeituras têm convênios com a SJC, abrangendo todas as 50 unidades mantidas prisionais pelo Estado.

Lima confirmou que o ministro Raul Jungmann decidiu que voltará a Santa Catarina para conhecer mais profundamente o trabalho realizado aqui, em boa parte já conhecido por ele durante a gestão da ex-secretária Ada De Luca, deputada estadual. Ele deve ir à unidade feminina de Criciúma e à masculina de São Cristóvão do Sul. Na primeira, o desafio é alcançar, até o fim do ano, 100% das internas trabalhando e estudando. Na segunda, todos os presos já trabalham em 17 indústrias instaladas ali.

O objetivo agora é garantir a segurança jurídica no uso da mão de obra dos detentos, criando legislação nacional que encerre todas as questões contrárias. O Projeto de Lei 167, que tramita na Assembleia, trata deste assunto. A expectativa de Leandro Lima é que a aprovação ocorra ainda em 2018. “Tudo o que o ministro Jungmann disse aqui mostra que temos agora uma luz no fim do túnel. Mas todos sabemos que o túnel é longo.”

Mara Fregapani Barreto, coordenadora geral de Promoção da Cidadania do Depen/MPS, era uma das mais entusiasmadas durante a II Mostra Laboral do Sistema Prisional Brasileiro. Ela está à frente do setor há oito anos e acredita que o evento, pela magnitude que alcançou, garante visibilidade ao tema, não só pelo que foi exposto como resultado da atividade laboral dos apenados, mas também pelo alto nível das palestras e dos debates.

“O envolvimento de todos os estados faz da Mostra um momento de integração, de colaboração, de capacitação, de experiências e até de metodologia de trabalho. Surge uma mobilização nacional.”
Além da assinatura do decreto que estabelece cotas para egressos e detentos nas licitações públicas federais, durante a Mostra aconteceu o lançamento do segundo ciclo do Selo Resgata, que reconhece a importância das empresas que abrem espaço para esse público.

Ela enumerou a evolução da área. “Em 2012, veio o Decreto de Educação Prisional; em 2014, a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde das Pessoas Privadas de Liberdade no Sistema Prisional; na edição de 2018, o decreto que abre portas para que presos e egressos trabalhem.”

Mara defende que o esforço traz vantagens para todos os envolvidos. Para o empregador, a prática da flexibilização da CLT, trabalhadores no local do trabalho, com muito mior produtividade hora/homem e com menor custo. Para os apenados, a remissão da pena de um dia para cada três de trabalho ou de dois dias para cada três em que estudar e trabalhar, e a remuneração de elo menos 75% do salário mínimo. A administração pessoal passa a trabalhar em um clima menos tenso e a sociedade recebe de volta, quando da soltura, um cidadão preparado para o trabalho.

O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, esteve na semana passada (quinta, 26) em Santa Catarina. Palestrou no último dia da II Mostra Laboral do Sistema Prisional Brasileiro, realizada em Florianópolis, e aproveitou para fazer um balanço histórico da área.

Ao visitar os estandes montados por cada estado para expor os trabalhos dos apenados, reconheceu que o esforço já vem dando resultados, mas que muito mais ainda poderá ser feito. Falou dos esforços neste sentido e, com otimismo, do que espera de mudanças.

Na semana passada, a Pelo Estado Entrevista trouxe um pouco dos resultados e planos apresentados pelo secretário estadual da Segurança Pública, Alceu de Oliveira. Nesta semana, um raio-X do setor no país. E a garantia, da parte do ministro Jungmann, de que a solução tem que ser buscada entre as nações. “Se o crime se trasnacionalizou, se ele se globalizou, eu não resolvo só dentro do Brasil! Eu preciso da colaboração, da parceria, da troca de inteligência, da convergência de legislação.”

Origem do problema

O Brasil carecia de um Sistema Nacional de Segurança Pública e de uma Política Nacional de Segurança Pública. Desde a primeira Carta Constitucional, datada de 1924, e em todas as que se seguiram, incluindo a que está vigente, de 1988, jamais o governo central assumiu responsabilidades constitucionais com a área. A leitura transversal das sete constituições brasileiras mostra que a responsabilidade fica restrita aos estados. Isso quer dizer que, na Segurança Pública, temos um federalismo acéfalo.

Nova organização

Pela primeira vez, em 194 anos, a segurança pública passa a ter um lugar na cúpula do Executivo do país. Exatamente há cinco meses foi criado, por decreto, o Ministério da Segurança Pública, englobando o sistema prisional, que é a minha Nêmesis (deusa grega que remete a forças ocultas), que me tira o sono.

Para que se faça Justiça, é preciso que políticas públicas, Ministério Público, Judiciário e Sistema Penitenciário interajam, sejam articulados, mas isso não ocorre. Cada um funciona na sua velocidade com os seus processos.

Mudanças

Nesses cinco meses de existência do Ministério tenho procurado deixar caminhos institucionalizados como legado. E que possam ser ampliados. Por exemplo, foi aprovado o Serviço Único de Segurança Pública (SUSP).

Leio e releio a lei, reconheço que poderia ter algo melhor. Mas, quando plenamente implantado, vai representar uma grande mudança. União, estados e municípios terão que atuar juntos, com metas, com indicadores e com formas de avaliação que nunca existiram.

SUSP

Até hoje, a Segurança Pública no Brasil é o território da opacidade. Não temos informações e quando as temos, nem sempre são confiáveis. Sem isso, é impossível planejar uma política pública nacional. Sem isso entramos em voo cego.

Mas o SUSP traz a exigência do levantamento e do compartilhamento dos dados. Quem (estado) não compartilhar, pode ser responsabilizado e não receberá recursos. Assim passamos a ter informação e integração. E vamos construir uma política nacional para um cenário de dez anos.

Em agosto será instalado o Conselho Nacional da Segurança Pública. Teremos curadoria, ouvidoria, corregedoria, incluindo as secretarias estaduais de Segurança Pública. A nossa área começa a emergir da obscuridade.

Recursos
Agora temos recursos estáveis, previsíveis e crescentes, com repasse de parte do que é arrecadado nas loterias da Caixa Econômica para o Fundo Nacional de Segurança Pública, com valores sendo distribuídos fundo a fundo (União-estados), segundo critérios e indicadores, sem interferência política.

Com isso, vamos poder criar a Escola Nacional de Segurança Pública e Inteligência, em nível de classe mundial. Teremos graduados, pós-graduados, doutores em Segurança Pública e em Sistema Prisional. E vamos valorizar quem trabalha nessas áreas. E vamos criar o Instituto Nacional de Estudos e Estatísticas da Segurança Pública.

Juventude
Precisamos de uma política de prevenção social. Temos uma juventude sem/sem. Sem estudo, sem formação, sem esperança, e em um país de imensas desigualdades. Com a população se sentindo encurralada, esse país tende sempre à repressão e a pedir pena de morte.

Hoje, quem mais morre são jovens de 15 a 24 anos, pobres, pretos, de baixa renda. São 11 milhões de jovens com essas características em nosso país. Três em cada quatro furtam, rouba, usam drogas.

Se 50% dos 60 mil homicídios anuais que registramos estão concentrados em 123 cidades, temos que focar com políticas de promoção social nesses territórios. Criamos uma câmara interministerial para a elaboração de um Plano Nacional de Prevenção e Promoção Social. Nossa juventude precisa disso. E nosso país também.

Cotas

Estivemos com a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Carmen Lúcia, para levar o texto do decreto da Política Nacional de Empregos para Egressos e Presos. Dados do Departamento Penitenciário Nacional (Depen) mostram que temos a terceira maior população carcerária do mundo, atrás dos EUA e da China. Com progressão de 8,3% ao ano, chegaremos a 2025 com 1,4 milhão de homens e mulheres privados de liberdade. Isso não é sustentável! Isso sem falar que, hoje, temos 584 mil mandados de prisão abertos.

O projeto determina que todas as licitações do governo federal têm que reservar um percentual para egressos e presos trabalharem nas empresas ganhadoras. “Estão dando emprego pra bandido!” Não!

Estamos buscando formas de ressocializar um ser humano, que tem seus direitos. Nós temos de 40% a 70% de reincidência. Isso mostra que não estamos cumprindo a missão de ressocialização. Como não temos pena de morte no Brasil e nem prisão perpétua, graças a Deus, é melhor que essas pessoas voltem melhores para as ruas, com condições de trabalhar para escapar da chamada do crime organizado.

O trabalho

Hoje, na média nacional, só 12% dos apenados trabalham ou estudam. Em Santa Catarina este índice é bem melhor, 31%. Mas esse percentual tem que crescer. Se a população carcerária cresce tanto e se tantos reincidem, o “prende” pelo qual a população clama não está resolvendo. O “prende” está agravando. É preciso punir, sim. Mas precisamos também melhorar o Sistema Prisional, valorizar quem trabalha nessas funções e de fato ressocializar para que a prisão são seja o home office do crime organizado como tem sido.

Coração das trevas

O Sistema Penitenciário brasileiro está quase todo dominado por um conjunto de 70 facções criminosas. Algumas são pequenas, outras são nacionais, transnacionais e globais. E elas vivem se digladiando dentro dos presídios e penitenciárias do país. Quando eu era ministro da Justiça, fizemos 33 vistorias: um em cada dois presos estava armado.

Quando se pega um jovem com uma trouxinha de maconha e bota lá dentro, ele terá que fazer juramento para uma dessas facções, se torna escravo, servo, dentro ou fora das grades.

Facções x democracia
O crescimento do poderio dessas facções é assustador. Em apenas dois notebooks achamos o registro de 400 execuções determinadas por eles. Isso pode chegar a milhares. Isso coloca em risco a sociedade, as instituições e a própria democracia.

Eles podem controlar o voto, elegem representante, esse representante entra na disputa por indicação de cargos, podendo até chegar a atuar no aparato de segurança. Já é uma questão de soberania nacional. Precisamos fazer o Estado presente!

Autoridade Sul Americana

Na próxima semana (com início em 30 de julho) eu estarei na Argentina reunindo com os ministros da Justiça e da Segurança Pública. A minha proposta é nós termos uma Autoridade Sul Americana de Segurança, mais amplo que Mercosul. Isso porque não se resolve mais o problema do grande crime organizado no o espaço nacional. Se o crime se transnacionalizou, se ele se globalizou, eu não resolvo só dentro do Brasil! Eu preciso da colaboração, da parceria, da troca de inteligência, da convergência de legislação.

Hoje já temos grandes quadrilhas brasileiras se estruturando em outros países, como Paraguai e Bolívia. Se não der para começar com uma Autoridade, vamos começar com uma plataforma de discussão e de coordenação. Depois a gente evolui. Eu diria que isso é imprescindível. Não há possibilidade de se enfrentar o crime que se globalizou, com a internet, com o tempo real, com transporte, com infraestrutura, com tudo, se não for transnacionalmente também.

Outra coisa...

... o crime está se lixando para a questão de regras e a qualquer coisa neste sentido. Nós ficamos muito presos a certos marcos legais que já não fazem sentido. Temos que criar, democraticamente, dentro da lei, com observância à Constituição de todos os países, uma Autoridade Sul Americana para lidar com essa questão.

O secretário estadual de Justiça e Cidadania (SJC), Leandro Lima, responsável pelo sistema prisional catarinense, comemorou os resultados da Mostra que, pela segunda vez, aconteceu no estado. Ele destacou que, entre a primeira edição, em 2015, e a da semana passada, Santa Catarina consolidou posição de referência nacional no que diz respeito à atividade laboral de apenados, ajudando inclusive a influenciar os demais estados.

“Começamos a perceber, ao entrar em cada estande, que os outros estados começaram a migrar da atividade artesanal para a industrial, seguindo os nossos exemplos.” Atualmente, 200 indústrias e pelo menos 20 prefeituras têm convênios com a SJC, abrangendo todas as 50 unidades mantidas prisionais pelo Estado.

Lima confirmou que o ministro Raul Jungmann decidiu que voltará a Santa Catarina para conhecer mais profundamente o trabalho realizado aqui, em boa parte já conhecido por ele durante a gestão da ex-secretária Ada De Luca, deputada estadual. Ele deve ir à unidade feminina de Criciúma e à masculina de São Cristóvão do Sul. Na primeira, o desafio é alcançar, até o fim do ano, 100% das internas trabalhando e estudando. Na segunda, todos os presos já trabalham em 17 indústrias instaladas ali.

O objetivo agora é garantir a segurança jurídica no uso da mão de obra dos detentos, criando legislação nacional que encerre todas as questões contrárias. O Projeto de Lei 167, que tramita na Assembleia, trata deste assunto. A expectativa de Leandro Lima é que a aprovação ocorra ainda em 2018. “Tudo o que o ministro Jungmann disse aqui mostra que temos agora uma luz no fim do túnel. Mas todos sabemos que o túnel é longo.”

Mara Fregapani Barreto, coordenadora geral de Promoção da Cidadania do Depen/MPS, era uma das mais entusiasmadas durante a II Mostra Laboral do Sistema Prisional Brasileiro. Ela está à frente do setor há oito anos e acredita que o evento, pela magnitude que alcançou, garante visibilidade ao tema, não só pelo que foi exposto como resultado da atividade laboral dos apenados, mas também pelo alto nível das palestras e dos debates.

“O envolvimento de todos os estados faz da Mostra um momento de integração, de colaboração, de capacitação, de experiências e até de metodologia de trabalho. Surge uma mobilização nacional.”
Além da assinatura do decreto que estabelece cotas para egressos e detentos nas licitações públicas federais, durante a Mostra aconteceu o lançamento do segundo ciclo do Selo Resgata, que reconhece a importância das empresas que abrem espaço para esse público.

Ela enumerou a evolução da área. “Em 2012, veio o Decreto de Educação Prisional; em 2014, a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde das Pessoas Privadas de Liberdade no Sistema Prisional; na edição de 2018, o decreto que abre portas para que presos e egressos trabalhem.”

Mara defende que o esforço traz vantagens para todos os envolvidos. Para o empregador, a prática da flexibilização da CLT, trabalhadores no local do trabalho, com muito mior produtividade hora/homem e com menor custo. Para os apenados, a remissão da pena de um dia para cada três de trabalho ou de dois dias para cada três em que estudar e trabalhar, e a remuneração de elo menos 75% do salário mínimo. A administração pessoal passa a trabalhar em um clima menos tenso e a sociedade recebe de volta, quando da soltura, um cidadão preparado para o trabalho.

Objetivo é facilitar a inserção no mercado do trabalho; texto foi assinado por Cármen Lúcia, presidente da República em exercício

A presidente da República em exercício, Cármen Lúcia, assinou decreto nesta terça-feira, 24, que institui a Política Nacional de Trabalho no Sistema Prisional e, com isso, obriga empresas contratadas pela administração pública a empregar presos e ex-presidiários como parte da mão de obra. O objetivo, segundo o governo, é facilitar a inserção deles no mercado do trabalho. O decreto será publicado no Diário Oficial da União (DOU) e possui efeito imediato.

Pelo texto, fica estabelecido que a obrigatoriedade valerá para os contratos com valores anuais acima de R$ 330 mil. Nestes casos, a quantidade de vagas destinadas para presidiários e ex-presidiários dependerá do número total de funcionários demandado para o serviço e poderá variar de 3% a 6%. Entre os serviços possíveis estão limpeza, conservação, alimentação, consultoria, engenharia e vigilância.

A medida vale para pessoas presas em regime fechado, semiaberto ou aberto, ou egressas do sistema prisional. Aqueles que cumprirem as exigências, como o cumprimento de pelo menos um sexto da pena, receberão salário e também auxílio para transporte e alimentação, além de poderem utilizar o serviço para pedir redução da pena. Eles passarão por avaliações mensais, feitas pelas empresas, que serão encaminhadas ao juiz responsável pela execução da pena.

Para o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, a medida busca humanizar o cumprimento da pena e engajar as empresas. "Essa política é fundamental porque cria condições para presos e egressos contarem com possibilidade real de ressocialização", afirmou.

 

Além de ajudar a aliviar o sistema carcerário no País, o ministro Raul Jungmann considera que a medida também deve contribuir para o combate ao crime organizado. "Se não implementarmos um trabalho como esse, a facção criminosa estará sempre criando relação de dependência com os presos. Se não criarmos alternativas, quem vai assistir esses jovens são as facções."

 

De acordo com o ministro de Direitos Humanos, Gustavo Rocha, a ideia do decreto é regulamentar dispositivo da Lei 8.666, de 1993, e tornar obrigatória a contratação de presos e egressos do sistema prisional nas empresas.

 

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"No edital de licitação haverá previsão para contratação desses presos e será obrigatório que essas empresas absorvam mão de obra para permitir socialização", explicou Gustavo Rocha. Ele avaliou que a política é simples, mas possui "efeito fundamental".

 

Existe um artigo no decreto, no entanto, que abre brecha para a empresa não cumprir a determinação. "A administração pública poderá deixar de aplicar o disposto neste artigo quando, justificadamente, a contratação de pessoa presa ou egressa do sistema prisional se mostrar inviável", diz o trecho.

 

Presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Carmen Lúcia está interinamente no comando do Palácio do Planalto em razão de viagens ao exterior do presidente Michel Temer e dos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE)

 

O Governo do Estado mantém um planejamento para a ampliação de vagas no sistema prisional catarinense e também para a redução de fugas e evasões. O trabalho tem apresentado um resultado favorável até aqui, com uma redução de 56% no número de fugas na comparação entre os anos de 2017 e 2011. O índice de evasão — quando o preso não retorna após uma saída temporária — caiu de 5,7% para 4% no mesmo período.

“Estamos trabalhando continuamente para melhorar o sistema prisional. Isso inclui a arquitetura das unidades e a capacitação dos agentes”, diz o secretário de Estado da Justiça e Cidadania, Leandro Lima.

Segundo ele, foram construídas 7.089 vagas prisionais desde 2011. Há, ainda, 1.216 vagas em unidades em construção. O planejamento da Secretaria de Justiça e Cidadania (SJC) também inclui 3.580 vagas a serem construídas futuramente. Outro dado importante é de que a construção de outras 2.608 vagas encontra-se em projetos judicializados envolvendo os municípios de Imaruí, São José e Tijucas.

 
 
 

“Existia o planejamento para fechar a penitenciária de Florianópolis a partir do próximo ano. Ficamos sem essas 2.608 vagas por causa da judicialização. Não teríamos essa condição se não houvesse essas negativas insistentes para emitir os alvarás de construção. Os municípios necessitam compreender que isso faz parte de um problema estadual de Segurança Pública”, opina Lima.

A SJC também considera necessário iniciar um novo debate envolvendo as portarias de interdição que limitam o número de presos em 47 das 50 unidades prisionais de Santa Catarina. Segundo o secretário Lima, é preciso nas políticas de alternativas penais e no uso de tornozeleiras eletrônicas. “Já adquirimos 987 equipamentos, com a possibilidade de ampliar este número para 2 mil, e atualmente 537 estão em uso”, diz.

Lima diz ainda que hoje existe uma demanda de presos muito elevada em todo o Estado. Em 2017, foi registrada uma média de entrada de quatro presos diários. De janeiro a abril de 2018, esse número saltou para dez presos por dia. Além disso, a quantidade de pessoas presas em 2018 já ultrapassou todo o ano de 2017. Hoje, há aproximadamente 21 mil detentos no sistema prisional catarinense.

“Isso demonstra que precisamos rever a postura das prefeituras municipais que se negam em conceder alvarás para a construção de novas unidades”, diz Lima.

OESTE

Construção Presídio Feminino de Chapecó (Recursos Federais Depen)

  • Vagas geradas: 286;
  • Entrega: Início do 2º semestre de 2018.

VALE DO ITAJAÍ

Construção do Presídio Feminino de Itajaí

  • Vagas geradas: 286;
  • Entrega: Início do 2º semestre 2018.

NORTE

Semiaberto da Penitenciária de Itajaí – Inaugurado

  • Vagas geradas: 240;
  • Entregue em 2017.

UPA de São Francisco do Sul (reforma e ampliação)

  • Vagas geradas: 72;
  • Entrega: inaugurada no início de 2018.

Presídio Feminino de Joinville

  • Vagas geradas: 286;
  • Entrega: Final do 2º semestre de 2018.

Presídio Regional de Joinville (reforma e ampliação)

  • Vagas geradas: 147;
  • Entrega: Inaugurado no início de 2018.

Penitenciária Industrial de São Bento do Sul

  • Vagas geradas: 364 vagas;
  • Estágio da Obra: Readequação do Projeto a pedido do Depen-MJ – Fase final de análise

REGIÃO SUL

Presídio Feminino de Tubarão

  • Vagas geradas: 224;
  • Obra foi iniciada em junho de 2018.

Presídio Regional Santa Augusta (reforma e ampliação) 

  • Vagas geradas: 452;
  • Obra inaugurada em dezembro de 2017.

Construção da penitenciária feminina em Criciúma

  • Vagas geradas: 290;
  • Inaugurada em fevereiro de 2018

GRANDE FLORIANÓPOLIS

Penitenciária de Florianópolis (reforma e ampliação)

  • As obras no Complexo Penitenciário da Capital contemplam a construção da Ala Máxima (38 vagas), Ala Nova (198 vagas) e Núcleo de Operações Táticas, assim como a construção de mais uma galeria de celas no Presídio Feminino de Florianópolis com 120 vagas. Contempla-se ainda nesta etapa a readequação do sistema de esgoto do Complexo Penitenciário através da instalação de novas tubulações para atender a demanda de contribuintes do complexo, bem como, a correta destinação do esgotamento sanitário;
  • Estágio da obra: em andamento.

A Polícia Federal deflagrou ontem, 28, a ‘Operação Gárgulas’, com objetivo de desmantelar uma organização investigada por desvio de recursos públicos federais, lavagem de dinheiro e fraude à licitação em Roraima. Dez mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Boa Vista e em Manaus, capital do Amazonas.

Os investigados – servidores públicos e empresários – foram interrogados e indiciados na Polícia Federal por crimes que preveem penas superiores a 30 anos de prisão. O nome dos envolvidos não foi informado pela Polícia Federal e o caso corre em segredo de justiça na 4ª Vara Judicial da Justiça Federal de Roraima. Ninguém foi preso.

O nome da operação remete às gárgulas – figuras monstruosas da Grécia antiga e da Idade Média. A denúncia foi feita pelo Ministério Público Federal e as provas coletadas pela Polícia Federal apontam indícios de atuação de um grupo criminoso, integrado por servidores públicos e empresários, que teriam cometido desvio de recursos públicos do sistema penitenciário, especificamente em relação aos repasses do Fundo Penitenciário Nacional ao Estado de Roraima, no montante de R$ 3,5 milhões. 

Segundo a Polícia Federal, foram demonstrados indicativos de fraudes à licitação, tais como conluio entre as empresas participantes que encaminharam propostas na dispensa de licitação; relação de parentesco entre os sócios das empresas participantes; propostas montadas; pagamentos realizados antes da emissão das notas fiscais e superfaturamento em contratos de locação de veículos e venda de produtos e serviços para atender a Secretaria Estadual de Justiça e da Cidadania (Sejuc).

Pelos crimes de formação de quadrilhas, desvio de recursos públicos federais, lavagem de dinheiro e fraude à licitação, os investigados poderão cumprir penas superiores a trinta anos de prisão. As investigações continuam, com análise do material apreendido durante a operação. O resultado será encaminhado à Justiça Federal.

CPI embasou denúncia que desencadeou operação

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que indiciou funcionários públicos e empresários como autores de desvio de recursos federais no Sistema Penitenciário teria embasado a investigação da Polícia Federal. A informação foi repassada pelo deputado Jorge Everton (PMDB), relator da CPI na Assembleia Legislativa.

Ele contou que, no relatório final sobre a situação do sistema prisional, a Sejuc teria pagado mais de R$ 3,5 milhões a duas empresas, sem a formalização do processo, sem empenho e nota fiscal. O valor foi pago, segundo a CPI, por dois meses de aluguel de 28 automóveis e por aquisição com instalação de cerca elétrica, câmeras e concertinas. Esse valor foi pago sem o aval da Procuradoria Geral do Estado (PGE), que deu parecer contrário à contratação.

Outra questão apresentada pela CPI é que teria sido confirmado que o pagamento para as empresas foi liberado, mas os materiais sequer foram instalados nas unidades prisionais.

A Comissão Parlamentar de Inquérito indiciou um ex-secretário de Estado de Justiça e Cidadania, que era Gestor do Fundo Penitenciário à época dos fatos e um servidor público, que era chefe da Divisão de Convênios e Coordenador do Fundo Penitenciário; além de quatro empresários, sócios das empresas que receberam pela aquisição de material de segurança e aluguel de veículos sem o devido processo legal. 


 ANTES DA OPERAÇÃO 
Corregedoria da Sejuc já investigava o caso

À Folha, a Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejuc) esclareceu que os fatos apurados pela Operação Gárgulas, da Polícia Federal, já são investigados pela Corregedoria da própria Sejuc, desde o ano passado e o servidor suspeito responde a um Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD).

“O servidor era o coordenador do Fundo Penitenciário Estadual, quando o Estado recebeu recursos federais para melhorias no sistema prisional, com destinação de 30% para obras na estrutura física e 70% para custeio e modernização do sistema prisional de Roraima. Informa ainda que está prestando todos os esclarecimentos necessários para a elucidação dos fatos e apuração visando à punição administrativa de eventuais culpados, se comprovados os fatos”, frisou.

A reportagem da Folha procurou ainda o então secretário de Justiça na época dos fatos, que negou que houvesse desvio de verba e disse que tudo que foi pago foi entregue. O ex-secretário da Sejuc, que prestou depoimento na Polícia Federal, esclareceu que teve oportunidade de provar na Polícia Federal que não teve desvio de um centavo sequer da Sejuc e que o serviço que foi pago foi efetivamente entregue. “O que houve foi irregularidade na contratação”, ressaltou, reforçando que hoje, 29, dará mais explicações à reportagem da Folha. 

A reportagem procurou ainda os empresários citados pela CPI que teriam ido até a sede da Polícia Federal, mas até o fechamento não obteve retorno. O espaço está aberto para a defesa.

Outro lado - O ex-secretário da Sejuc, Uziel Castro que prestou depoimento na Polícia Federal, esclareceu que teve oportunidade de provar na policia federal que não teve desvio de um centavo sequer da Sejuc e que o serviço que foi pago foi efetivamente entregue. O que houve foi irregularidade na contratação. Ele explicou que nesta sexta-feira falará com a Folha de Boa Vista sobre o assunto explicando detalhadamente a denúncia.

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