SEGURANÇA

Integrantes das forças de segurança realizaram nesta quarta-feira, 27.07, dois treinamentos práticos simultâneos contra ataques terroristas em regiões distintas da Região Metropolitana. Militares do Grupamento de Ações Táticas Especiais (Gate), da Polícia Militar, Policiais Federais, além de técnicos do Samu e das secretarias estadual e municipal de Saúde foram acionados para um simulado de resgate de reféns e salvamento de vítimas de quatro terroristas que invadiram o edifício desocupado da Contax, no bairro Prado, em Belo Horizonte.

Tudo não passou de um treinamento. Mas o acionamento do 190, o tempo de chegada das equipes e a invasão do local por parte dos militares foi real, simulando efetivamente todos os procedimentos que devem ser adotados em caso de um chamado de ataque terrorista.

O foco desta ação prática foi a evacuação aeromédica das vítimas com dois helicópteros. Cerca de 60 figurantes participaram da operação e, “feridos”, foram levados aos hospitais da região por meio aéreo. Os demais reféns receberam os primeiros atendimentos depois de o prédio ser evacuado.

Na região de Nova Lima, militares do Exército Brasileiro foram acionados para intervir em uma casa noturna, onde supostamente seis terroristas encapuzados teriam rendido os seguranças e entrado na casa de shows. O acionamento do 190 por parte do gerente da casa também foi real. Em oito minutos militares do Exército chegaram para fazer a varredura do local e isolar a área. O trânsito na região foi interditado pela BHTrans, com o apoio de agentes da Guarda Municipal.

 

Cerca de 200 militares ocuparam a área. Uma equipe tática invadiu o local para fazer o resgate das vítimas e a retirada dos reféns. Do lado de fora era possível ouvir os tiros e as explosões de bombas. Militares do Esquadrão Antibombas do Gate entraram em cena para realizar a varredura do veículo abandonado pelos terroristas em frente à casa de shows. Esta atividade tinha como foco neutralizar qualquer artefato explosivo que porventura pudesse estar abandonado no interior do veículo.

Segundo o Tenente Francis Cotta, do Esquadrão Antibombas do Gate, os treinamentos vêm sendo realizados desde 2008 e nestes últimos meses foi potencializado em termos de interagências. “Estamos com equipamentos, formação, capacitação e protocolos operacionais em plenas condições. O que nós deveríamos fazer, nós fizemos. E estamos em condições”, disse o tenente.

Para o Tenente Coronel do Exército, Júlio César Rolszt, os seis treinamentos práticos realizados de forma integrada em Belo Horizonte buscaram as situações mais difíceis para que todos pudessem treinar uma situação real em todos os aspectos. “Os simulados foram realizados em locais de grande fluxo de pessoas, onde foi possível exercitar de forma integrada o resgate de reféns, evacuação de áreas, simulação de ataques químicos, biológicos, radiológicos e nucleares e neutralização de artefatos explosivos”, lembrou Rolszt.

O simulado desta quarta compõe as ações da Comissão Estadual de Segurança Pública e Defesa Civil para os Jogos Rio 2016 no Estado de Minas Gerais (Coesge-MG) e do Núcleo de Articulação Minas 2016, instituído em abril de 2015 com a finalidade de promover as ações necessárias para o estado sediar os eventos relacionados aos Jogos Rio 2016.

Números

Para a Olimpíada Rio 2016 são esperados no Brasil 15 mil atletas de 206 países. São 32 mil profissionais de imprensa credenciados e uma estimativa de 4,5 bilhões de expectadores no mundo inteiro. Em Belo Horizonte, de acordo com estimativas da Abin, são esperados de 15 a 20 mil turistas durante os jogos. A cidade receberá entre 400 e 500 atletas e 1.500 jornalistas. BH receberá dez partidas de futebol masculino e feminino.

Por: Flávia Lima

Fotos: Carlos Alberto/Imprensa MG

Oficiais do Comando Antiterrorismo Britânico, Ian Tremble e Matt Pilch estiveram em Belo Horizonte nesta segunda-feira, 01.08, para falar da experiência na Olimpíada Londres 2012 para integrantes de forças de segurança que atuarão em Belo Horizonte durante os torneios de futebol da Rio 2016. O Comando Antiterrorismo Britânico tem 3mil militares.

Cerca de 400 pessoas assistiram às palestras da dupla Tremble e Pilch no Auditório Juscelino Kubitschek, na Cidade Administrativa. Os britânicos fizeram um breve histórico sobre a atuação dos terroristas ao longo das últimas décadas e falaram sobre os recentes atentados na Tunísia, em Paris e em Bruxelas e as providências que a Inglaterra tomou diante desses ataques.

Segundo Tremble, um dos maiores desafios do Reino Unido é monitorar as mídias sociais e rastrear os chamados lobos solitários, que são aquelas pessoas que se dispõem a atuar sozinhas em nome de um grupo e de uma ideologia.
“Talvez esses lobos solitários não sejam tão solitários quanto imaginamos. Eles geralmente estão em duas pessoas e agem como agentes solitários. Historicamente nós conseguimos identificar esses planos e podemos agir e intervir a tempo”, disse.

 

Tremble explicou que as cinco unidades do Comando Antiterrorismo Britânico têm uma rotina diária de tentar monitorar moradores do Reino Unido que estiveram em áreas de recrutamento de seguidores de grupos terroristas, como a Síria.

O engajamento da sociedade é um dos pontos fundamentais para evitar um possível atentado terrorista, afirmou Matt Pilch. “O Reino Unido demorou para estimular e conseguir o engajamento da sociedade. Mas hoje ele já conquistou a confiança necessária para que civis liguem e façam denúncias de indivíduos e objetos suspeitos por meio de um canal telefônico gratuito e anônimo”, disse o oficial.

Tremble destacou que a boa comunicação entre agências de segurança e de inteligência e uma força policial eficiente, com todos trabalhando em conjunto e usando todas as suas habilidades, são também essenciais para evitar que atentados terroristas aconteçam.

Os investigadores britânicos elogiaram a estrutura de Minas Gerais e os preparativos das forças de segurança do Estado. Durante a passagem por Belo Horizonte, eles visitaram as instalações no Centro Integrado de Comando e Controle Regional (CICCR), onde estarão reunidas as forças de segurança durante os jogos olímpicos e de onde serão tomadas todas as decisões referentes a essa área.

A palestra foi uma parceria entre o Núcleo de Articulação Minas 2016, a Comissão Estadual de Segurança Pública e Defesa Civil para os Jogos Rio 2016 no Estado de Minas Gerais (COESGE-MG), coordenado pela Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), e o Consulado Britânico em Belo Horizonte.

Por Flávia Lima

Crédito fotos: Marcelo Sant'Anna/Imprensa MG

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